Março 28, 2010

Economize energia. Nosso planeta agradece.

Posted in Uncategorized às 11:03 pm por valdezbhz

Sustentabilidade:

Pode vir quente

O uso do sistema híbrido, que une o aquecimento solar ao chuveiro elétrico, cresce no país à medida que vem sendo empregado em projetos habitacionais populares.

Os fabricantes de chuveiros elétricos e os de aquecedores solares resolveram se unir. O resultado é uma forma mais barata de implantar o aquecimento solar, que tem sido adotada por programas de financiamento de casas populares nos últimos anos. É o que algumas entidades – como a ONG Sociedade do Sol, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) – chamam de “sistema híbrido”. Para discutir a sua normatização existe até uma comissão do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Nesse sistema, o chuveiro elétrico serve de “apoio” ao sistema de aquecimento solar, acudindo o consumidor caso ocorra uma sequência de dias chuvosos. Assim, se o clima não estiver propício para que o sol esquente a água nos coletores, o chuveiro elétrico entra em cena. “Essa união é uma excelente solução”, elogia o engenheiro Marcelo Mesquita, gestor do Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol), da Abrava. “É o melhor de dois mundos”, considera Carlos Alexandre Cella, diretor do Grupo de Chuveiros Elétricos da Abinee.

COMO FUNCIONA

Há mais de uma maneira. Em projetos habitacionais populares de São Paulo e Minas Gerais, o aquecedor e o chuveiro elétrico são instalados na residência, e o usuário só precisa acionar o segundo quando o dia estiver chuvoso ou frio.

A ONG Sociedade do Sol, também ligada a projetos populares, propõe a utilização de um dimmer para regular o aquecimento do chuveiro. O princípio do acessório, que acompanha alguns modelos de chuveiro elétrico ou pode ser comprado separadamente, é o mesmo daquele utilizado em lâmpadas. Uma terceira possibilidade, bem mais cara, é o chuveiro eletrônico, que vem com um sensor de calor e um dimmer automático. Basta o consumidor ou o fabricante programar a temperatura e a vazão, e o chuveiro faz o resto do serviço, ou seja, quando necessário, complementa o aquecimento da água que chega do equipamento solar com a resistência elétrica.

O aparato solar tradicional sempre possui algum apoio ou backup. Geralmente, trata-se de uma resistência elétrica instalada no próprio reservatório de água quente ou um pequeno sistema a gás. No entanto, na opinião de Augustin Woelz, coordenador do projeto Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), da Sociedade do Sol, pode haver perdas, pois muitas vezes o apoio aquece todo o conteúdo do reservatório desnecessariamente. O chuveiro elétrico, por outro lado, esquenta só o volume que será utilizado.

Porém, para o físico Délcio Rodrigues, coordenador do projeto Cidades Solares e coautor do livro Um banho de sol para o Brasil (editado pelo Instituto Vitae Civilis), o chuveiro elétrico consome energia demais. “Como ele tem de esquentar a água no momento em que será usado, precisa ser muito potente”, afirma. Já a resistência que fica no reservatório de água quente, no caso do sistema solar convencional, é mais fraca e trabalha mais devagar. “Assim, demanda menos do sistema elétrico nacional [em horário de pico]”, diz. Essa característica, muito importante, perde espaço no sistema híbrido.

Vale a pena saber

Sistema solar
É constituído, basicamente, por um reservatório de água quente e coletores solares.
Atende, geralmente, a 70% da necessidade de água quente de uma residência. O resto virá do apoio elétrico ou a gás, por exemplo.
Reduz a conta de luz em cerca de 30%.
Contribui para a segurança energética, tanto do consumidor quanto do país.
Ajuda na redução da emissão de gases de efeito estufa, pois parte da eletricidade gerada no país vem de termelétricas a carvão.
O retorno do investimento ocorre após dois ou três anos, devido à economia de energia.

Chuveiro elétrico
Chuveiro com resistência elétrica.
Está presente em mais de 70% das casas
brasileiras.
É responsável por 30% da conta de luz de uma residência; por 18% do consumo energético em horário de pico e por 6% da demanda de eletricidade.
Os aparelhos mais populares têm vazão baixa, ou seja, consomem menos água.
Por ser barato, garante o acesso de todas as camadas populares ao banho quente.

CHUVEIRO ELÉTRICO, O BANDIDO

Já faz alguns anos que ouvimos, quase como uma máxima, que o chuveiro elétrico é o grande vilão quando se trata do consumo de eletricidade. Afinal, esse aparelho é responsável por 18% da demanda energética em horário de pico (entre 7h e 7h30, e 18h30 e 19h) e por cerca de 6% do consumo total de energia no país, segundo o livro Um banho de sol para o Brasil.

Também não é de hoje que os cálculos apontam que o chuveiro, presente em mais de 70% dos lares brasileiros, é responsável por cerca de 30% da conta de luz, cujo valor varia de acordo com cada município. Na capital paulista, atendida pela Eletropaulo, em uma conta de 150 kWh, 30% ou 45 kWh equivaleriam a cerca de R$ 12. Na região de Minas Gerais coberta pela Cemig esse consumo seria equivalente a quase R$ 15.

Mas, mesmo pesando na conta de luz residencial e demandando bastante energia, o chuveiro elétrico não sofre muita concorrência. O motivo é simples: o produto é barato e, portanto, acessível a todas as classes sociais.

Já o preço do aquecimento solar ainda é alto, apesar de haver caído 32% de dois anos para cá. Nem a isenção fiscal (o equipamento não paga imposto sobre Produto Industrializado – IPI, nem Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS) conseguiu baratear o sistema a ponto de disseminar sua utilização. Segundo o Dasol/Abrava, em 2008 havia apenas 4,5 milhões de metros quadrados de placas solares no país, o que corresponde a cerca de 800 mil residências (ou 1,78%). “Atualmente, um sistema compacto como o utilizado nas residências da CDHU [Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo], que atende a uma família de quatro pessoas, custa em média R$ 1.700”, informa Marcelo Mesquita, do Dasol/Abrava.

Mas em dois ou três anos o dinheiro investido é recuperado, pois haverá redução na conta de luz. Com gastos menores de energia, fala-se inclusive no aumento do poder aquisitivo das classes populares. Segundo cálculos da Caixa Econômica Federal (CEF), quando sobra dinheiro no fim do mês, a inadimplência cai. Embora a prestação do financiamento de uma casa com sistema solar aumente cerca de R$ 12, a redução na conta de luz, que pode chegar a R$ 50 em alguns estados, compensa.

DICAS

Para quem tem chuveiro elétrico e não pensa em trocá-lo
Deixe a chave no “verão” quando o clima não estiver frio.
Lembre-se de que, quanto maior a potência do aparelho, maior será o consumo de eletricidade.
Ao substituí-lo, busque um modelo com várias opções de temperatura. Vale a pena gastar um pouco mais na hora da compra, pois a economia com eletricidade pode ser de até 50%, segundo a Abinee.

Para quem usa o sistema de aquecimento solar
Não abra muito o registro, mesmo que a ducha tenha grande capacidade.
Coloque um aerador atrás da ducha para economizar água.
Caso a água quente demore a chegar, tente armazenar a água fria em baldes e use-a para regar plantas, por exemplo.

Para ambos os tipos de aquecimento
Quando o clima estiver quente, feche o registro enquanto se ensaboa.
O banho não deve ultrapassar oito minutos. Cinco minutos seria o ideal!
Para saber qual é a vazão do seu chuveiro, coloque um balde embaixo dele e deixe-o ligado por um minuto. Depois, meça a quantidade de água com uma jarra que contenha medidor

BALDE DE ÁGUA FRIA

Um dos problemas do sistema de aquecimento solar é a demora para a água quente chegar ao chuveiro, principalmente em prédios, onde a distância entre o reservatório e o ponto de consumo é grande. A água da tubulação que os interliga acaba esfriando, e até que ela seja substituída pela quente que vem do sistema solar, o registro ficará aberto por alguns minutos. Um grande desperdício. Provavelmente, trata- se de instalações mais antigas, de uma época em que economizar água não era uma preocupação premente, porque seu gasto não pesava nem no bolso nem na consciência ambiental do consumidor.

Especialistas ouvidos pela REVISTA DO IDEC garantem que hoje em dia existem mecanismos que eliminam esse problema e que, quando ele aparece, é devido a falhas no projeto. “Na grande maioria das casas, o tempo [que a água quente leva para substituir a fria na tubulação] é menor que 30 segundos”, diz a doutora em química e pesquisadora Elizabeth Duarte, que até poucos meses atrás coordenava o Grupo de Estudos em Energia Solar (Green Solar) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG).

Já nos prédios é necessário implantar, basicamente, dois aparatos: o anel de recirculação e o temporizador. O primeiro possui um sensor de temperatura e uma pequena bomba d´água, cujo consumo de energia, segundo a pesquisadora, é muito pequeno. Quando o sensor detecta que a água do encanamento está fria, ele aciona a bomba para substituí-la pela quente. Para evitar que esse mecanismo seja usado muitas vezes durante o dia, desperdiçando eletricidade, entra em cena o temporizador, que estabelece que o anel de recirculação seja acionado somente em determinados horários.

Outro ponto negativo, que no entanto é um dos motivos pelo qual as pessoas optam pelo sistema solar, é a possibilidade de esquentar grande volume de água, o que permite que o usuário instale uma ducha com grande vazão. Em outros tempos, essa característica poderia ser entendida como conforto, mas hoje em dia é considerada consumo exagerado. Para fazer uso racional desse precioso recurso, basta que o consumidor coloque em sua residência uma ducha com menor vazão ou, simplesmente, abra menos o registro na hora de tomar banho. Outra medida eficaz é instalar um aerador, uma espécie de “peneirinha” que contribui para a economia.

Leis “solares”

Nos últimos anos, 26 municípios brasileiros aprovaram leis relacionadas ao aquecimento solar. Em São Paulo, a Lei no 14.459, de julho de 2007, determina que todas as residências novas com quatro banheiros ou mais, hotéis, clubes, academias, hospitais, escolas e demais edificações sejam equipados com sistemas solares de aquecimento de água, de modo a garantir pelo menos 40% da demanda de água quente anual.

Segundo Délcio Rodrigues, do projeto Cidades Solares, ainda não é possível contabilizar as construções que estão de acordo com a nova lei, porque não houve tempo de elas serem concluídas, já que a regulamentação do texto só saiu no início de 2008 e, meses depois, veio a crise econômica, que paralisou a construção civil. “Vai começar a haver entrega de prédios [com o sistema de aquecimento solar] de meados deste ano para a frente”, calcula.

Pesquisa estranha

No ano passado, um estudo deu o que falar. Realizado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água da Universidade de São Paulo (Cirra/USP) e patrocinado pela Abinee, ele revelou que o chuveiro elétrico e o sistema híbrido são os mais econômicos. Resultados parciais foram divulgados pelas entidades em abril de 2009 e os resultados finais no início deste mês.

Pouco depois do anúncio parcial, o físico Délcio Rodrigues e os engenheiros Alexandre Salomão, Aurélio Souza e Carlos Faria divulgaram nota técnica criticando a falta de metodologia da pesquisa. “O estudo compara chuveiros elétricos de baixa vazão (média de 4 litros/min) a um aquecedor solar de vazão mais elevada (8,7 litros/min)”, diz o comunicado. Outro problema apontado seria o subdimensionamento do sistema solar para a vazão do chuveiro, o que sobrecarregaria a resistência elétrica de apoio, fazendo com que ele consumisse mais energia do que normalmente.

“Não houve pesquisa científica, pois não compararam coisas comparáveis”, critica Délcio Rodrigues. Carlos Alexandre Cella, da Abinee, rebate: “A pesquisa foi feita com a visão do consumidor, e não do laboratório. Colocamos o que o usuário encontra no mercado”.

Cartilha Uso eficiente do chuveiro elétrico, do Inmetro http://www.inmetro. gov.br/infotec/publicacoes/cartilhas/chuveiro/chuveiro.pdf
Cartilha Aquecimento solar, também do Inmetro http://www.inmetro.gov.br/ infotec/publicacoes/cartilhas/aquecedor_solar/aquecedor_solar.pdf
Livro Um banho de sol para o Brasil, de Délcio Rodrigues e Roberto Matajs (editado pelo Instituto Vitae Civilis). Está disponível para download em http://www.vitaecivilis.org.br/anexos/UmBanhoDeSol.zip
Blog Ecoprático http://ecopratico.com.br/blog/2009/05/cuidados-nahora- do-banho
Cidades Solares, iniciativa das ONGs ambientais Instituto Vitae Civilis e Instituto Ekos Brasil e do Dasol/Abrava http://www.cidadessolares.org.br
Sociedade do Sol http://www.sociedadedosol.org.br

Fonte: revista nº 141 – março de 2010 – http://www.idec.org.br

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: