Março 25, 2010

Enquanto isso…não falta nada na Aeciolândia (Cidade Administrativa)

Posted in Uncategorized às 3:12 pm por valdezbhz

Ipsemg dificulta acesso do servidor à marcação de exames

Sucateamento. Agendamentos de procedimentos médicos só serão aceitos se forem feitos por e-mail ou fax

Médicos denunciam que manobra quer reduzir custos com os procedimentos

Repórter TÂMARA TEIXEIRA

Os servidores públicos do Estado que, na última sexta-feira, foram surpreendidos com a notícia da suspensão das cirurgias eletivas e da redução do número de leitos no Hospital Governador Israel Pinheiro, do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), têm agora mais um obstáculo para conseguir atendimento médico pelo qual pagam todos os meses.

A instituição desativou o setor de marcação de exames externos – aqueles que precisam ser agendados com antecedência como tomografias e ressonâncias – que funcionava no segundo andar do prédio do Centro de Especialidades Médicas (CEM) do Estado.

Desde a última sexta-feira, as marcações só podem ser feitas através de fax ou via e-mail. A medida prejudica pacientes como a aposentada Maria Ozan Coelho, que mora no Vale do Jequitinhonha e não tem computador nem fax em casa.

Antes, para marcar um exame, o paciente tinha que se dirigir a um guichê do CEM com a guia preenchida pelo médico. Agora, o servidor só poderá fazer isso se tiver um fax para enviar o pedido de exame. A outra opção, um pouco mais complicada principalmente para as pessoas mais simples, é escanear o pedido do médico e enviá-lo por mail ao Ipsemg. Um comunicado que circulava ontem no hospital informa que “os procedimentos de alto custo” devem estar digitalizados. No pedido, diz o aviso, o servidor deve informar o telefone para que um funcionário do Ipsemg confirme o recebimento do pedido de exame.

Aos 80 anos, a aposentada Maria Ozan estava ontem no CEM para tentar marcar exames para um tratamento de glaucoma. Quando soube da notícia de que não poderia fazer a marcação, ela não escondeu a frustração. “Moro muito longe. Quando venho para a capital, me hospedo na casa do meu filho em Contagem. Como vou fazer para marcar os exames agora? Isso dificulta muito a vida da gente. Não podia ser assim”.

Mais uma vez, como tem feito desde que começou a publicar as denúncias sobre a precariedade no atendimento médico do Ipsemg, a reportagem de O TEMPO tentou ouvir a direção do instituto, mas ninguém se pronunciou.

Dificuldade. Um médico do Ipsemg, que prefere não se identificar, disse que o objetivo do cancelamento do serviço é um só: dificultar a marcação de exames para reduzir custos. “Tenho muitos pacientes do interior do Estado. A partir de agora, eles não terão condições de marcar os exames que eu pedir. São pessoas idosas e simples que não têm computador nem fax em casa. Eu mesmo não tenho fax nem escaner e também não poderia marcar esses exames. Estão querendo reduzir os gastos dificultando a vida do servidor”, denunciou.

Protesto

Médicos irão parar na semana que vem

Os médicos do Ipsemg irão cruzar os braços entre segunda e quarta-feira da próxima semana e somente os casos de pacientes com risco de morte serão atendidos. A paralisação é um protesto contra a crise pela qual passa a instituição. Um dos objetivos é mostrar a posição de desacordo com a atual direção do Ipsemg. A decisão foi tomada em uma reunião entre médicos do Ipsmeg e o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sindmed-MG).

“A nossa intenção era parar amanhã (hoje) junto com os servidores do Ipsemg, mas não houve tempo para comunicar a direção, por isso, vamos apoiá-los com faixas. Agendamos a nossa paralisação de 72 horas a partir da próxima segunda-feira”, explicou Luciano Dantés, membro do conselho de mobilização dos médicos do Ipsemg.

Na próxima quarta-feira à noite, após a paralisação, será realizada uma nova assembleia e a categoria não descarta a possibilidade de uma greve. Outra medida que será discutida é o pedido de demissão por parte de todos os coordenadores das clínicas médicas em repúdio à direção do Ipsemg.

Os médicos ainda apresentarão outras reivindicações à diretoria da instituição como a realização imediata de concurso para contratação de pessoal e o pedido de que não seja realizada nenhuma outra obra no hospital Israel Pinheiro enquanto a atual não for concluída. O objetivo é que não haja o fechamento de novos leitos. Na semana passada, o número de leitos foi reduzido de 290 para 141. (TT)

Cancelamentos marcam crise

Uma volta pelos corredores do Centro de Especialidades Médicas, antigo Cardiominas, revela muitas histórias de servidores que sofrem com a falta de medicamentos e de profissionais no hospital do Ipsemg. ´

São casos como o do aposentado Walmir Bispo Caroba, morador de São João do Paraíso, no Norte de Minas. Há um ano, ele não consegue marcar a cirurgia para a retirada da próstata. Em janeiro, ele procurou o hospital e foi informado de que o aparelho usado no procedimento estava quebrado.

“Eles marcam para eu vir e quando chego aqui só me dão outro pedido de consulta. Da última vez, o médico me mandou consultar no Hospital Luxemburgo e disse que eu teria que pagar R$ 114 pela consulta e não aceitei”, disse. Na última segunda-feira, o presidente do Ipsemg, Antônio Caram Filho, negou que o instituto esteja em crise. (TT)

Reclamações
Os pacientes que, por qualquer motivo, se sentirem lesados pelo Ipsemg ou por qualquer outra instituição de saúde podem denunciar o fato à Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público.
O órgão funciona na avenida Augusto de Lima, número 1.740, 2º andar, no bairro Barro Preto, na capital.

Publicado em: 25/03/2010

Fonte: www.otempo.com.br/otempo

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1 Comentário »

  1. Luiz said,

    O Governo de Minas diz que a Aeciolândia vai proporcionar ao Estado uma economia de 80 milhões por ano. Agora é procurar saber aonde este dinheiro vai ser empregado. Já sei onde! Vai ser gasto para a Copa do Mundo de 2014! Para saúde (Ipsemg e Fhemig), segurança e educação é que não vão!…..e viva a Brasília de Minas!


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